domingo, 10 de maio de 2015

Poema Erótico Pode Levar Funcionária de Escola à Demissão


Uma dirigente escolar foi apontada como a responsável pela distribuição de um poema erótico a alunos da 5ª série do ensino fundamental da cidade de Santa Luzia, situada na região metropolitana de Belo Horizonte. O caso levou alguns pais de alunos a procurarem a direção da escola municipal Jaime Avelar de Lima, situada no bairro Bom Destino.
Conforme T.T. C, irmã de um aluno e que pediu para não ser identificada, o fato ocorreu no dia 28 do mês passado, quando o conto teria sido retirado de uma página na internet e cópias teriam sido feitas.
O texto intitulado "Ciuminho Básico" da poetisa mineira Ana Elisa Ribeiro traz palavras populares atribuídas a partes íntimas do corpo humano.
Segundo a irmã do aluno, a folha contendo o texto foi colada nos cadernos dos estudantes, que supostamente foram orientados a fazer em casa um exercício sobre ele. "Uma das mães viu o caderno do filho dela e ligou para a minha mãe alertando sobre as palavras chulas que estavam escritas nele. Quando eu li o texto, fiquei horrorizada", disse a jovem.
Ainda de acordo com a irmã, alguns pais procuraram a direção da escola e supostamente teriam sido orientados a 'abafar' o caso. “É um absurdo isso ter sido entregue a crianças de 10 anos”. Nós ficamos horrorizados ainda mais por saber que as crianças leram o poema em voz alta dentro de sala de aula. Alguma punição os responsáveis têm que ter', disse.
O irmão de T.T. C disse a ela que ficou assustado com o teor do poema e por ele ter sido distribuído dentro da escola onde estuda. "Ele ficou bastante assustado e sem entender o motivo pelo qual a escola estava dando aquele tipo de atividade", afirmou.
Em nota, a Prefeitura de Santa Luzia informou que será instaurado um processo administrativo disciplinar "para apuração de responsabilidades e eventual demissão da servidora", que não teve o nome divulgado.
Ainda de acordo com o texto, a instauração do processo poderá resultar, com base na avaliação da comissão disciplinar, no "afastamento provisório da servidora".


Ciuminho Basico

escuta
calado
a proposta rude
deste meu
ciúme:
vou cercar tua boca
com arame farpado
pôr cerca elétrica
ao redor dos braços
na envergadura
pra bloquear o abraço
vou serrar teus sorrisos
deixar apenas os sisos
esculhambar com teus olhos
furá-los com farpas
queimar os cabelos
no pau acendo uma tocha
que se apague apenas
ao sinal da minha xota
finco no cu uma placa
"não há vagas, vagabundas"
na bunda ponho uma cerca
proíbo os arrepios
exceto os de medo
e marco no lombo, a brasa,
a impressão única do meu dedo.

ANA ELISA RIBEIRO
Ana Elisa Ribeiro nasceu em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, em 1975. Graduou-se em Letras, língua portuguesa, e desenvolve tese de doutoramento sobre a formação de leitores de textos na Internet. Publicou Poesinha (Poesia Orbital, 1997) ePerversa (Ciência do Acidente, 2002), além de minicontos e poemas em revistas e jornais, no Brasil e em Portugal. É cronista do site Digestivo Cultural (www.digestivocultural.com)




sábado, 25 de abril de 2015

Proclamação à Vida


Em certa hora vespertina de abril
(o vento entretido com adjetivos celestes,
ligas de bronze, cimento e cristais)
arrisco na fuligem da cidade
que se promete em sangue
o verbo explosivo da vida.
Este desdobrar em dois
A promessa secretamente anunciada
Num ventre de fêmea,
Quando nem sequer pássaros mais ambíguos
Arriscavam-se no espaço definitivo de uma gaiola;
Quando nem sequer flores
Ousavam com seus perfumes
Povoar longas avenidas
Com seus flertes efêmeros!
O mistério transpôs os limites
De todas as gramáticas,
Todos os vocábulos,
Explorando num tatear de brisa
A multiplicação das células
Enfim, tornadas, fogo.
Viajo a antevéspera de tuas formas;
Teus braços, teus olhos, que um dia se abrirão
ao contorno das coisas domésticas,
Das estrelas, do tédio e da febre.
Teus lábios, hálito morno de flores,
Um dia obrigado ao silêncio
De discursos jamais recitados.
A força de tuas proteínas, os minerais
que compõem teu sangue, o poema que antecipa
teus primeiros passos,
como a valsa embriagada das constelações.
Meu filho –
Como poderei com forja rude onde aprendi o ódio
Ensinar-te o sorriso dos deuses?
Sinto teu coração repicar
O sino de um templo sagrado.
Sinto teus movimentos
No universo finito, onde lapidas
O brilho embaraçado do sol.
Sinto todo teu corpo
Que se prepara à moda dos guerreiros
Para saltar na praça central da república.
Ouço o sangue que percorreu tuas veias
E retornou em circuito de labirintos
Ao centro físico de minhas angústias.
Trazia uma linguagem, que nenhum sábio
Ousou traduzir, nos manuais primitivos
Da ciência que nos tornou anfíbios.
Em silêncio ouço teu canto de vida.
Vem meu filho. Poderei dar-te o dom da palavra.
Iniciá-lo no manejo de máquinas
Que jamais compreendemos
E, no entanto
Compõe nossa mesa, na refeição matutina.
No diálogo mudo
Implantado em todos os canais de fala humana.
Se domingo, iremos ao parque dos leões.
Ao gabinete dentário, a um baile de máscaras.
Convém que entendas certas minúcias desta comédia.
Cruzaremos avenidas polvilhadas de símbolos,
Regras cívicas, fumaça e contravenções penais.
Cruzaremos terras minadas com o napalm, injustiça e medo.
Festejaremos todas as datas autorizadas no calendário.
Fadas e pirilampos, meu filho, encontraremos no comércio
A título de liquidação!
Ainda assim eu te digo:
-Vem meu filho.
Vem me ensinar o sorriso dos deus.

 Frederico Ozanan Drummond

sábado, 17 de janeiro de 2015

Brasil e Indonésia – Os Extremos da Lei

A execução do brasileiro Marcos Archer levada a termo na Indonésia na tarde deste sábado (17/01/2015), às 15,00 horas de Brasília, oferece material para muitos debates e reflexões sobre as nossas leis criminais em contraponto à de outros países.
Marcos foi preso ao tentar entrar naquele país em 2003 com treze quilos de cocaína escondida dentro dos tubos de uma asa delta.
Sou pessoal e convictamente contra a pena de morte. Ao longo da história ela tem sido aplicada, na maioria dos casos, de forma indevida e injusta, principalmente em casos de motivação politica e religiosa.
Neste caso especifico o que podemos matutar com nossos botões e dividir com quem mais possa interessar?
Primeiro, que a Indonésia é um estado soberano com seu povo, governo, parlamento e suas leis.
Segundo, que pelas leis em vigor naquele país, a pena de morte é admissível em resposta a alguns tipos de crimes, dentre eles o trafico internacional de drogas.
É uma lei muita dura, arcaica, desumana? Pode ser, mas é a lei que é aplicável aos seus concidadãos, e a quem mais incorrer nestes crimes em seu território.
Segundo o melhor direito internacional não se pode privar ninguém, por mais hediondo que seja seu crime, do direito a um julgamento justo e a uma pena que considere uma segunda chance.
Se lá a lei é draconiana, em contraponto, no Brasil ela caminha em sentido contrario. Nossas leis são muito condescendente, fato que nos conferiu o titulo nada honroso de paraíso de impunidade.
Nem tanto ao céu nem tanto ao inferno, a boa medida estaria, pela lei do bom senso, na média.
Uma pessoa que adentra um território que não é sua pátria, com treze quilos de cocaína, só pode ser considerada traficante internacional em qualquer lugar do mundo. Não há desculpas.
O traficante de drogas é um carrasco que conduz à execução sumária usuários de drogas, que ele abastece e lhe dá lucro, e de quebra leva também suas famílias à desgraça. Que estas figuras avaliem bem aonde vão se meter com seu comércio.
Devido à repercussão do caso presente, provavelmente muitas pessoas que planejavam tentar uma fezinha com as drogas na Indonésia devem estar refazendo seus planos. De repente o Brasil é um melhor destino.
Por isto tudo considero este pedido da presidente Dilma ao presidente da Indonésia, Joko Widodo, em favor de Marcos Archer algo patético.
Foi um desgaste inútil e desnecessário, principalmente quando o fato ganhou repercussão internacional.
O réu foi preso em 2003, portanto há doze anos e todos os canais diplomáticos e todos os caminhos da justiça internacional puderam ser percorridos.
Porque cargas d’aguas alguém poderia imaginar, que próximo à execução, um presidente de um país iria ceder ao pedido de outro chefe de estado, em favor de um traficante internacional, contrariando as leis e a justiça de seu próprio país.
Lá, ao contrario daqui a lei da dá em Chico dá em Francisco. Por outro lado, por que deixar um condenado hospedado ás custa do contribuinte Indonésio por longos anos, em caso de pena alternativa.
Acho que o pedido do governo Brasileiro foi uma jogada para a galera, e o não do presidente Indonésio soou muito mal. Foi humilhante.
O Brasil poderia ter se valido de acordos internacionais como um pedido de extradição, (nem sei se existe este acordo com a Indonésia).
Com certeza, em julgamento aqui, o destino de Marcos seria menos trágico e definitivo.
Este imbróglio oferece uma boa oportunidade para que a sociedade brasileira cobre de seus representantes políticos, leis menos condescendentes, e que sejam aplicáveis na pratica, como o remédio necessário contra o avanço da criminalidade.
Estes debates com certeza vão considerar em sua pauta a pena capital, que é uma medida dura e extrema, mas que a cada dia ganha mais adeptos no Brasil.



                                                           João Drummond




quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

domingo, 14 de dezembro de 2014

Trovas de Natal





Eu pensei que o bom velhinho
Ia me deixar um presente
Mas ele entrou e saiu de fininho
E roubou minha escova de dente
É natal, é natal.
Todo mundo está contente
Fui cantar no quintal
Cai e quebrei um dente.
Ouvi um ruído no telhado
Pensei que era o bom velhinho
Um gatuno desalmado
Afanou meu sapatinho.
Pedi ao bom velhinho
Um terreno fecundo
Ele me disse baixinho:
― Vai trabalhar vagabundo.
Pedi ao bom velhinho
Um ranchinho assossegado
Ele me disse: ― Mocinho!
Deixa de ser folgado.
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel.
Disse mamãe em tom profundo:
― Que nada! Seu pai é o Manuel