A Irmandade do Bode do Livro Brejolândia dos Cafundôs


A Irmandade do Bode


Tia Nicinha deixara um recado na minha secretária eletrônica: “Que eu comparecesse sem falta no sábado próximo à sede de Brejolândia, pois que o tio Arlindo precisava muito dos meus préstimos, para um assunto de relevada importância.”
Tão logo cheguei, a tia me encaminhou sem mais delongas, para a grande varanda que fica do lado do córrego das Antas.
Lá me deparei com um grupo de cavalheiros sérios e circunspectos, que conversavam à meia voz, sugerindo assunto de maior gravidade.
Alguns deles eram velhos conhecidos, como o Desembargador Gumercindo, o tio Maurilio, o primo Tadeu, seu Antonio da venda, professor Astromar Falcome, dentre outros.
Tio Arlindo fez apresentação dos outros senhores entre eles um tal de professor João Jorge Jaboatão.
Segundo o tio, o sujeito com um carregado sotaque baiano, era escritor, pensador e filosofo.
O Desembargador Gumercindo com ar grave pediu a palavra:
- Já que estamos todos aqui reunidos, podemos começar a nossa reunião. Como os senhores sabem a mãe Terra agoniza. Vitima indefesa da ação predatória do Homem, o nosso planeta pede socorro. Vou passar a palavra ao professor Jaboatão que conduzirá esta conferência.
O Professor pigarreou, tomou um gole de água e começou:
- Senhores, as atenções do mundo estão divididas hoje entre o Fórum de Davos na Suíça e o Fórum social de Porto Alegre, onde se discute o destino do Mundo. Por isto este é o momento ideal para realizarmos o Fórum Mundial de Brejolândia dos Cafundós. Estudos exaustivos me permitiram localizar o ponto mais energético da terra, onde qualquer operação de salvação deve efetivamente começar. Caros senhores Brejolândia é o umbigo do mundo e seu futuro depende deste pequeno e seleto grupo aqui reunido. Os senhores foram escolhidos a dedo para salvar o mundo.
Sem querer deixei escapar uma risada. O professor me fulminou com o olhar como se eu fosse um pernilongo. Pedi desculpas e ele prosseguiu.
- Estamos fundando aqui, hoje uma sociedade secreta que vai ter a nobre e difícil missão de salvar o planeta da destruição. Esta aberta a primeira sessão da Irmandade do Bode.
O primo Tadeu questionou:
            - Mas professor, porque do bode? Não poderia ser outro animal mais nobre?
O professou respondeu impaciente:
            - Você está equivocado meu jovem. O bode é o símbolo da energia potencial passiva. A imagem da sabedoria da ociosidade, paciência e sapiência. Vejam só o bode Jacó do seu tio Arlindo.
E apontou para o gramado lateral onde o velho Jacó se mantinha amarrado à cerca de arame farpado, mascando incansável seu chiclete de capim gordura.
E o professor continuava:
- Os senhores já ouviram falar na lei de Murphy. Murphy foi um pensador e filosofo escocês que propôs uma tese interessante. Segundo ele se alguma coisa tiver que dar errado com certeza dará. Por exemplo, quando o pão cai no chão quase sempre o lado da manteiga cai prá baixo. Ou quando você está numa fila a outra fila do seu lado anda mais depressa. Se você passar para a fila mais rápida a primeira começa a andar mais depressa. Entenderam?
O tio Maurilio emendou:
            - Entendi professor, por exemplo, se chover louras, vai cair um negão na nossa cabeça.
 - Não é bem isto Maurilio, mas você já começou a entender. Enfim a tese que eu defendo é que toda vez que o homem faz alguma coisa ele dá uma cagada e o mundo piora. A filosofia da nossa Irmandade vai fazer a única coisa que neutraliza a lei de Murphy, ou seja, não fazer nada, dando ao mundo a chance de se recuperar.
O Tadeu não se conformava com o animal símbolo da Irmandade:
            - Mas professor, o bode é um animal fedorento, com aquela barbicha indefinida e aqueles chifres virados para trás. Não podemos escolher um animal mais nobre?
            - Jovem Tadeu, o bode carrega o sagrado fedor do saber, aquela barbicha impõe respeito e os chifres prá trás nos mostram a saída da humanidade; o retrocesso.
Todos acabaram concordando com o professor para ver se ele liquidava com aquela lengalenga, e no final ele propôs:
- Nicinha... Vamos completar o nosso ritual de iniciação. Sacrifique o bode Jacó e faça uma buchada caprichada prá gente.
O tio Arlindo que se mantivera um bom ouvinte até então, se esquentou de vez com aquela proposta:
- Matar o Jacó... Nunca. Só sobre o meu cadáver.
Estava formada a discórdia até que lembrei a eles que, para quem queria salvar o mundo, estavam dando mal exemplo, e sugeri que se fizesse uma galinhada em lugar da buchada.
E a Irmandade passou aquela primeira noite traçando uma galinhada regada à cachacinha de produção caseira do sitio. Eu já estava gostando daquela ideia de salvar o mundo.

                        
         
            








A importância da literatura na formação do cidadão

A função da literatura é formar a criança em um adulto capaz de enfrentar a vida. É na infância que a criança aprende a fazer suas escolhas, e uma boa literatura vai lhe dar sustentabilidade…

Formar leitores não é tarefa fácil. É preciso que família e escola trabalhem em conjunto. O interesse pela leitura deve ser estimulado desde a infância, na família, pois é a primeira instituição, seguida pela escola. Está previsto na Lei 8069, no Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outros direitos, o direito à cultura. Infelizmente tanto família quanto escola tem falhado com esta obrigação. É preciso que a leitura também seja adequada à idade, envolvente para que desperte a magia, a curiosidade e o prazer por ler. Jogar os livros obrigatórios em uma mesa de sala de aula não é a melhor forma, ao contrário, a má vontade e a obrigatoriedade não geram prazer.

O hábito da leitura é um processo longo quando não criado na infância, e o que se vê em muitas escolas públicas é o descaso em relação à formação de leitores. Cabe aos pais e professores criar esse hábito, buscar os meios e as formas, ao invés da omissão, para despertar o interesse da criança e do adolescente. Segundo José Breves Filho “uma boa leitura restaura a dimensão humana e atua como um organizador da mente, nutrindo o espírito e aguçando a sensibilidade“. É dado mais valor à gramática do que ao pensamento do aluno. Eu já presenciei isso: um aluno escreveu uma história fantástica e teve nota baixíssima pela quantidade de erros de português. O professor deve ser sensível ao lado literário. Não que a correção gramatical não seja importante, mas é preciso valorizar para não deixar marcas profundas. Um bom exemplo de valorização é a obra de Ziraldo com “Uma professora muito maluquinha“.

O professor tem que ser um desafiador. Ensinar o aluno não só a ler, mas a escrever suas idéias, pensamentos, como no filme “Escritores da Liberdade“. Piaget diz que é na adolescência que o ser humano tenta dominar os elementos que lhe faltam para a razão adulta. Defendo a leitura como ponto de partida para uma vida adulta normal, prazerosa, na convivência com a sociedade. Saber driblar com as diferenças, pois a leitura transforma o indivíduo e sua possibilidade de escolha é bem mais racional. A função da literatura é formar a criança em um adulto capaz de enfrentar a vida. É na infância que a criança aprende a fazer suas escolhas, e uma boa literatura vai lhe dar sustentabilidade. Primeiro ela é ouvinte, e é perceptível o prazer que sente ao ouvir uma historinha, querendo participar. Quando aprende a ler, procura por conta própria a que lhe agrada. Na primeira fase os pais são responsáveis por este futuro leitor, e a preguiça de contar uma história pode ter resultados surpreendentes na vida adulta.

Se os pais se utilizarem da literatura, que é vasta, para o crescimento cultural e na formação de um cidadão, com certeza não estarão na adolescência de seus filhos em consultórios psiquiátricos, clínicas para drogados entre tantas outras desgraças. Um simples gesto transformador (que é o de contar uma história, mostrar o caminho da literatura e transformá-lo num leitor) pode ser crucial na formação do filho. Vejo na literatura um remédio para uma sociedade doente como é a nossa. Um remédio natural, e sem contra indicações, que deve ser oferecido à criança com prazer e dedicação. Jamais como obrigação, pois a literatura é indispensável para o desenvolvimento.

É urgente a necessidade de uma nova proposta de ensino de literatura nas escolas, além de banir de vez o sistema arcaico, de leituras impostas. Descobrir o que o aluno quer ler é fundamental, pois cada leitor é único em suas experiências. É na literatura que tudo é permitido. Se você ama seu filho, faça com que ele seja um leitor. A criança é como uma esponja: dependendo do que apresentarmos a ela é que será o que vai absorver: “água suja ou água limpa”.

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA NA FORMAÇÃO DO CIDADÃO, pelo viés da colaboradora Marielsa Klatter Braga. Marielsa é advogada e escritora e em breve lançará um livro intitulado “Violino Vermelho”.



Tem político... E tem gente


Tem político que mente...
Tem político que rouba...
Tem político que bebe...
Tem político que cheira...
Tem político que mente e rouba...
Tem político que mente, rouba e bebe...
Tem político que mente, rouba, bebe e cheira...
Tem político que diz “não sei”...
Tem político que diz que nem estava lá...
Onde está o político que trabalha?
Onde está o político que cumpre promessas... de campanha?
Onde está o político que faz pelo povo, e para o povo?
Assim não há reforma política que resolva.
Tem que haver uma reforma na geração de políticos...
Qual é o pior ou pior do pior?
Assim fica difícil até discutir política.
Que diria votar nas próximas eleições.
Nós brasileiros estamos é lascados...
Porque tem gente que mente...
Tem gente que rouba...
Tem que bebe...
Tem gente que cheira...
E tem gente que vota nestes políticos.
Como esperar que os representantes do povo sejam diferentes...
No povo que os elege!
Ou seja, alem de tudo a culpa desta política também é nossa.

João Drummond




Feliz 2016


Secretaria Municipal de Cultura e Juventude de Sete Lagoas celebra ações realizadas em 2015

Cultura: reforçando valores, abrindo espaços e fortalecendo os talentos de nossa terra.


No ano que chega ao fim em poucos dias, a cidade viu sua cultura florescer e multiplicar frutos com muita arte, música, folclore, teatro, dança e valores que agregam à cidade, à sua história e seu cotidiano.

Um período que vem se fortalecendo como um importante marco na vida artística da cidade e na trajetória dos diversos grupos e áreas artísticas mostra como a dedicação e empenho, aliados à união podem construir uma cultura sólida e crescente, e promete ainda muita alegria e arte para os tempos que virão.

Com o apoio irrestrito e empenho de toda a equipe da Secretaria Municipal de Cultura e Juventude, a Prefeitura de Sete Lagoas possibilitou, com investimentos superiores a 1,5 milhões, a realização mais de 300 atividades ao longo do ano, incluindo os eventos ocorridos em parceria com varias instituições educacionais e culturais, dentre os quais se destacam, a III Virada Cultural, Semana do Trabalhador, a Feira da Paz, o Festival da Vida, o 28º Inverno Cultural da UFSJ, o 2º Festival de Inverno de Sete Lagoas que homenageou a poetiza e professora sete-lagoana Mariza da Conceição Pereira, a 2ª Temporada de Teatro de Sete Lagoas, a semana do Folclore, Festa da Serra, Minas ao Luar, Palco 2 na Exposete, Prêmio de Musica de Minas Gerais e como não poderia deixar de citar o Carnaval, que foi a mais legítima mostra de alegria, organização e harmonia proporcionando uma festa que alegrou a todos os públicos.

Encerrando as atividades do ano de 2015, o lançamento oficial e apresentação dos trabalhos do período de avaliação de viabilidade, a Escola de Artes e Humanidades de Sete Lagoas, mostrou a que veio e promete levar arte e cultura a cada canto da cidade. Com aulas de teatro, dança contemporânea, cerâmica, grafitti, violão, flautas, canto coral, confecção de figurinos, alegorias e adereços, resgate das tradições folclóricas e banda de música, cerca de 250 alunos de todas as idades foram diretamente impactados e lotaram o auditório da Casa da Cultura no ultimo dia 17/12, em duas sessões para apresentarem as construções executadas nos quatro meses de atividades. Motivo de muito orgulho para pais, alunos, professores e comunidade artística local.

Durante doze meses, grupos de teatro, dança, músicos e escritores, levaram o nome de Sete Lagoas a outras paragens, mostrando o talento e competência dos artistas de nossa terra, e em outras oportunidades, a cidade pode receber em seu solo nomes internacionalmente conhecidos.

A Galeria Myralda e João Fernandino Jr, até o mês de fechamento do ano contabilizam juntas 31, exposições, sem contar as mais de 270 atividades de artes integradas, teatro, cinema, circo, que ocuparam varias praças e espaços públicos levando gratuitamente ao público atrações de qualidade e proporcionando a todos uma ampla vivência com as artes.

Após tantas ações e pessoas alcançadas, aliado ao e o sentimento de dever cumprido, a Prefeitura de sete lagoas e toda a equipe da Secretaria Municipal de Cultura e Juventude, agradecem a cada sete-lagoano e visitante que participou, se emocionou e encantou a cidade com seu exemplo e demonstrações de amor às artes!

Vale a pena acompanhar de perto o desenvolvimento cultural de Sete Lagoas que dia após dia trabalha para ser a cidade que a gente quer! Acompanhe as atividades da secretaria em: http://culturasetelagoas.blogspot.com.br/


Por Nana Andrade - Secretaria Municipal de Cultura e Juventude/ Prefeitura de Sete Lagoas 

Literatura como cura

LUIZ FELIPE PONDÉ

 O silêncio, às vezes, é um dos maiores indicativos de maturidade de uma civilização Hoje quero falar de dois sintomas que marcam nossa época. O primeiro sintoma é a falação ruidosa de nosso mundo; o segundo é a idéia de que o mundo sofre porque não nos amamos e que tudo se resolveria se nos abraçássemos e parássemos de sermos gananciosos. Fala-se demais hoje. Todos têm opinião. Até jovens de 20 anos são chamados a dar opinião sobre o mundo e a sociedade, quando mal sabem arrumar o quarto. E quando se elegem crianças de 25 anos como arautos da sociedade (adulto que faz isso, o faz, normalmente, para ter discípulos fiéis e fanáticos, ou porque é bobo mesmo), o resultado é que acaba se pensando que o mundo começou, como diz um amigo meu muito esquisito, em "Woodstock". Quando se pensa isso, acaba-se imaginando que o problema do mundo é mesmo aprendermos que "all you need is love"... Infelizmente, a humanidade é mais complicada do que pensa nossa vã inteligência woodstockiana. Contra essa visão infantil da realidade (este é o segundo sintoma do qual falei acima), proponho a leitura da obra do grande crítico norte-americano Edmund Wilson. Vou a ele já; antes, quero voltar ao problema do ruído mais especificamente (o primeiro sintoma do qual falei acima). Somos um grande mundo ridículo e falastrão. Decorrente dessa falação, um ruído infernal toma conta do dia a dia. O silêncio, às vezes, é um dos maiores indicativos de maturidade, não só de uma pessoa, mas de uma civilização. Estou falando isso por conta de um breve ensaio que caiu na minha mão esses dias, parte integrante do volume "Best American Essays 2013", editado por Cheryl Strayed. O ensaio ao qual me refiro foi escrito pela prêmio Nobel Alice Munro e chama-se "Night". Nele, a autora conta a operação que fez quando criança para tirar o apêndice e uma "coisa do tamanho de um ovo de peru". Munro compara o comportamento atual diante de casos como o dela e o comportamento de seus pais na época. A conclusão é que hoje se falaria como o diabo do risco que ela corria na época. Mas, ao contrário, pouco se falou do assunto, "respeitando o medo" sem falação. Conta Munro que, nessa época, ela dormia num beliche com sua irmã mais nova (moravam numa espécie de granja), e que numa noite olhou para a irmã e pensou em sufocá-la. A partir daí, não conseguia mais dormir, pensando no ímpeto que tivera de matar sua irmã. Numa das manhãs seguintes as suas noites de insônia, encontrou com seu pai, todo vestido chique, saindo de casa de manhã muito cedo. Contou para ele o que pensara e o horror que sentira. Seu pai simplesmente lhe disse que esquecesse aquilo e que essas coisas passam. Depois, adulta, lembra como o modo simples de falar do pai a acalmou profundamente. A pequena Alice nunca mais teve insônia. Na sequência, a prêmio Nobel comenta que nunca perguntara ao pai para onde ele ia tão cedo e tão elegante. Perguntou-se se ele ia ao banco renegociar a dívida da família ou ver a mulher que amava, mas com quem não podia ficar porque amava sua família... Silêncio. Nem uma linha de rancor. Hoje, escreveriam uma tese sobre como seu pai poderia ter sido um homem desatento ou, quem sabe, infiel. Ao lembrar-se do seu pai no momento do reconhecimento em que recebera o prêmio, Munro pensa em como ele teria ficado orgulhoso de sua pequena filha insone. Nessas horas, tenho saudade do passado e lamento como nos transformamos em adolescentes barulhentos que se levam demasiadamente a sério. O segundo autor que quero comentar é Edmund Wilson, um dos últimos críticos literários, segundo Paulo Francis, a enfrentar a literatura sem se esconder atrás de grandes teorias abstratas (que se querem "concretas"). No volume editado por Francis pela Companhia das Letras em 1991, "Onze Ensaio - Literatura, Política, História", esgotado, aparece sua "visão de mundo": a história é um longo processo através do qual as civilizações se devoram, criando e destruindo, em círculos, indo para lugar nenhum. Concordo. P

Natal, mais um bom motivo pra gente ser feliz!!!

video

Apesar das tragédias, da violência, da má politica, do desatino da raça humana, nós temos muitos motivos pra ser feliz. Um feliz natal para todos.






Dia Internacional contra a Corrupção - 08 de dezembro


Quarenta Dias - Premio Jaboti

“Quarenta dias no deserto, quarenta anos.” É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, romance magistral de Maria Valéria Rezende, ao anotar num caderno escolar pautado, com a imagem da boneca Barbie na capa, seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe.



Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar a Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade.

 “Eu não contava mais horas nem dias”, escreve Alice em Quarenta dias, um relato emocional e profundo. “Guiavam-me o amanhecer e o entardecer, a chuva, o frio, o sol, a fome que se resolvia com qualquer coisa, não mais de dez reais por dia (...) Onde andaria o filho de Socorro?, a que bando estranho se havia 

218º Serão Poético do Clube de Letras de Sete Lagoas


Adeus Rio Doce. Descanse em paz!




Doce Rio Doce
De águas límpidas e serenas
Templo profanado
Pela massa impura.
Dorme, dorme sereno
Em seu tumulo de lama



Sinal dos tempos? Quando poderíamos imaginar que estaríamos, um dia, prestando homenagens póstumas a um rio?
Pois não é que este dia chegou. E com este dia, quando assistimos com todas as cores, sons e letras que a tecnologia nos permite, a morte em lenta agonia de todo um sistema ecológico          em seu leito e em seu entorno, não podemos deixar de ser acossado em nossas mais intimas convicções por algumas questões que relegamos a segundo e terceiro planos em nossa agenda pessoal de prioridades.
Primeiro precisamos garantir o nosso custeio básico diário, as garantias para o futuro próximo, nossa qualidade e padrão de vida etc.
A preocupação com a ecologia não está em primeiro plano nas nossas preocupações diárias, a não ser que sejamos uma das centenas de famílias, ou milhares de vidas que foram diretamente atingidas por uma tragédia ecológica de menor ou maior magnitude.
Uma questão se destaca em primeiro plano neste evento de Mariana, que é afinal um dos grandes dilemas da nossa civilização: Como continuar produzindo o necessário para manter as populações da terra, com seu modelo de vida, provocando o menor dano possível á natureza?
Como garantir emprego, comida, saúde e moradia para bilhões de pessoas, da sociedade de consumo, com este modelo econômico e industrial que tem se mostrado em grande parte predatório e antiecológico?
A tragédia de Mariana oferece um cenário que pode se analisado em detalhes importantes e transposto para macro modelos como os países, os continentes, e para a Terra com um todo.
A mineração que garantia boa parte da economia de uma região por certo tempo, terminou em questão de dias por se tornar no coveiro e algoz de uma área muito maior que não se beneficiava aquela atividade econômica.
Depois que esta tragédia aconteceu, não é tarde demais admitir-se que não é sensato se acumular milhões de metros cúbicos de dejetos de mineração em um único local.
No Brasil existem hoje centenas de barragens do mesmo tipo que como bombas relógios, estão prontas para, ao capricho da natureza e da insensatez humana, se romper contra os sistemas ecológicos e toda a vida que depende deles.
Quem sabe não seria possível se transformar estes milhões de metros cúbicos de rejeitos em blocos de concreto que poderiam servir a outras atividades econômicas?
Outra questão que se levanta com força é a certeza de que a natureza é muito mais frágil e sensível a atividade predatória do homem do que imaginávamos em principio.
O Rio Doce está morto, pelo menos para esta geração. Precisamos crer que possa renascer amanhã, para nossos filhos e netos, quando a lição da tragédia, sendo bem assimilada nos induza a novos e mais racionais métodos de atividades econômicas e industriais.
Deus permita que o fato em si possa despertar em todos nós uma maior consciência ecológica, e que aprendamos a produzir e gerar riquezas respeitando-se os limites da natureza.
Hoje foi um rio, que para a vida que abundava em sua extensão representou o fim do mundo. Amanhã pode ser a vez do planeta Terra.




                                                                  



Cinco Aulas de Gestão Estratégica

1ª AULA

Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta:
– Eu posso sentar como você e não fazer nada o dia inteiro?
O corvo responde:
– Claro, porque não?
O coelho senta no chão embaixo da árvore e relaxa. De repente uma raposa aparece e come o coelho.

Conclusão

Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar no topo.

2ª AULA

Na África todas as manhãs o veadinho acorda sabendo que deverá conseguir correr mais do que o leão se quiser se manter vivo.
Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deverá correr mais que o veadinho se não quiser morrer de fome.

Conclusão: Não faz diferença se você é veadinho ou leão, quando o sol nascer você tem que começar a correr.

3ª AULA

Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e, na rua, encontram uma antiga lâmpada mágica.
Eles esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um gênio.
O gênio diz:
– Eu só posso conceder três desejos, então, concederei um a cada um de vocês!
– Eu primeiro, eu primeiro, grita um dos funcionários! Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida… Puff e ele foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido:
– Eu quero estar no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de pina coladas! Puff, e ele se foi.
Agora você, diz o gênio para o gerente.
– Eu quero aqueles dois folgados de volta ao escritório logo depois do almoço para uma reunião!

Conclusão: Deixe sempre o seu chefe falar primeiro.

4ª AULA

Um homem está entrando no chuveiro enquanto sua mulher acaba de sair e está se enxugando. A campainha da porta toca. Depois de alguns segundos de discussão para ver quem iria atender a porta a mulher desiste, se enrola na toalha e desce as escadas. Quando ela abre a porta, vê o vizinho Nestor em pé na soleira. Antes que ela possa dizer qualquer coisa, Nestor diz:
– Eu lhe dou 3.000 reais se você deixar cair esta toalha!
Depois de pensar por alguns segundos, a mulher deixa a toalha cair e fica nua.
Nestor então entrega a ela os 3.000 reais prometidos e vai embora.
Confusa, mas excitada com sua sorte, a mulher se enrola de novo na toalha e volta para o quarto. Quando ela entra no quarto, o marido grita do chuveiro:
– Quem era?
– Era o Nestor, o vizinho da casa ao lado, diz ela.
– Ótimo! Ele lhe deu os 3.000 reais que estava me devendo?

Conclusão: Se você compartilha informações a tempo, você pode prevenir exposições desnecessárias.

5ª AULA

Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade, pega um balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas. No caminho, ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas e acha que provavelmente algumas mulheres invadiram suas terras. Ao se aproximar lentamente, observa várias belas garotas nuas se banhando na lagoa. Quando elas percebem a sua presença, nadam até a parte mais profunda da lagoa e gritam:
– Nós não vamos sair daqui enquanto você não deixar de nos espiar e for embora.
O fazendeiro responde:
– Eu não vim aqui para espiar vocês, eu só vim alimentar os jacarés!

Conclusão: A criatividade é o que faz a diferença na hora de atingirmos nossos objetivos mais rapidamente.

Portanto,
Antes de falar, escute…
Antes de escrever, pense…
Antes de gastar, ganhe…
Antes de julgar, espere…
Antes de desistir, tente…

“No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é, e outras, que vão te odiar pelo mesmo motivo.”
(Autor desconhecido, mas esperto)


Livros ou E-books? (A evolução da literatura)

Poderíamos estender este titulo para “ou rochas, papiros, pergaminhos”, e todas as plataformas que, ao longo da historia tiveram um único propósito: acolher as palavras, as frases e os textos, que a partir a evolução da linguagem permitiram aos homens repassar de maneira cada vez mais fiel seus pensamentos e idéias.
É lógico que as pessoas podem preferir uma ou outra plataforma, e enumerar as vantagens e desvantagens de cada uma é desencaminhar uma discussão do seu eixo principal.
A questão central é nos perguntarmos de que maneira todo o conhecimento da humanidade, adquirido ao longo da sua história vai, continuar sendo armazenado e difundido para as futuras gerações.
Acredito ser de somenos importância se perguntar se o livro de papel vai acabar ou não e qual o formato de plataformas que predominaram no futuro.
Quaisquer que sejam elas, (e elas vão continuar evoluindo) o mais importante é que o acervo de idéias e pensamentos seja preservado e que a linha que liga o passado, presente e futuro do conhecimento humano esteja íntegra e contínua, para que este acervo possa continuar a nutrir as gerações vindouras.
O individuo pode escolher para seu deleite e estudo o livro de papel ou o livro eletrônico, e desfilar um rosário de motivos por preferir um ou outro, mas, não podemos fechar os olhos a uma realidade que escancara a nossa frente.
 O advento da era digital nos impõe novos paradigmas com relação a escrita e a leitura de textos e obras literárias, isto porque as novas plataformas ampliam a velocidade e a quantidade de informações que são disponibilizadas para o leitor pelas novas tecnologias.
Se antes um aluno de faculdade precisava de horas de pesquisa no meio de montanhas de livros, hoje este trabalho é executado a simples cliques na internet.
A quem defenda que este modelo de pesquisa cria alguns vícios na geração atual, como preguiça de estudar, de usar a memória, e exercitar a análise empírica e o raciocínio matemático.
Podemos fazer uma comparação grosso modo com um sitiante que tendo cuidado da suas plantações com rudimentares instrumentos de agricultura, censura o vizinho pelo uso de modernas maquinas de plantio e colheita.
É conhecido o processo de evolução da natureza humana a partir do uso de ferramentas que ampliavam sua força, velocidade e alcance, liberando o cérebro para novas e mais nobres tarefas.
O que a tecnologia digital faz é liberar o cérebro humano de funções de importância relativa, para que o córtex cerebral possa continuar a se desenvolver sob novas experiências.
Para que perder tempo memorizando dados e informações que podem estar a nosso serviço através de memórias digitais a um simples clique?
Para que perder tempo decorando números e textos, se podemos repassar para nossos servos eletrônicos este trabalho exaustivo?
Se ontem o Homem criou ferramentas que lhe ampliavam a força, velocidade e extensão do corpo, hoje cria ferramentas que lhe ampliam o poder do cérebro e o liberam para novas funções.
Mas afinal quais seriam estas funções inovadoras? Em que direção o córtex cerebral deve evoluir? As respostas a estas indagações não encontra guarida nas ciências exatas. Podemos fazer, no entanto algumas ilações a respeito, e buscar amparo nos filósofos e pensadores que nos precederam e deixaram seu legado.
Voltando as plataformas, mais importantes dos que estes filósofos e pensadores e seus cérebros privilegiados foram a idéias e pensamentos que eles nos legaram.

                                                                                 
                                                                                              João Drummond





A Arca de Noé Brasileira




Um dia, o Senhor chamou Noé que morava no Brasil e ordenou-lhe:
- Dentro de 6 meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira. 
No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu.
Noé chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar furiosa, entre as nuvens:
- Onde está a arca, Noé?
- Perdoe-me, Senhor suplicou o homem.
Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas:
Primeiro tentei obter uma licença da Prefeitura, mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha de reeleição do prefeito.
Precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimo, mesmo aceitando aquelas taxas de juros.
O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário.
Começaram então os problemas com o IBAMA e a FEPAM para a extração da madeira.
Eu disse que eram ordens SUAS, mas eles só queriam saber se eu tinha um "Projeto de Reflorestamento” e um tal de "Plano de Manejo”.
Neste meio tempo ELES descobriram também uns casais de animais guardados em meu quintal. Além da pesada multa, o fiscal falou em "Prisão Inafiançável” e eu acabei tendo que matar o fiscal, porque, para este crime, a lei é mais branda.
Quando resolvi começar a obra, na raça, apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha um Engenheiro Naval responsável pela construção.
Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano.
Veio em seguida a Receita Federal, falando em “sinais exteriores de riqueza” e também me multou.
Finalmente, quando a Secretaria Municipal do Meio Ambiente pediu o “Relatório de Impacto Ambiental” sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil.
Aí, quiseram me internar num Hospital Psiquiátrico! Sorte que o INSS estava de greve.
Noé terminou o relato chorando, mas notando que o céu clareava perguntou:
- Senhor, então não irás mais destruir o Brasil?
- Não! - respondeu a Voz entre as nuvens.
- Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde!
O governo já se encarregou de fazer isso!


Poema Erótico Pode Levar Funcionária de Escola à Demissão


Uma dirigente escolar foi apontada como a responsável pela distribuição de um poema erótico a alunos da 5ª série do ensino fundamental da cidade de Santa Luzia, situada na região metropolitana de Belo Horizonte. O caso levou alguns pais de alunos a procurarem a direção da escola municipal Jaime Avelar de Lima, situada no bairro Bom Destino.
Conforme T.T. C, irmã de um aluno e que pediu para não ser identificada, o fato ocorreu no dia 28 do mês passado, quando o conto teria sido retirado de uma página na internet e cópias teriam sido feitas.
O texto intitulado "Ciuminho Básico" da poetisa mineira Ana Elisa Ribeiro traz palavras populares atribuídas a partes íntimas do corpo humano.
Segundo a irmã do aluno, a folha contendo o texto foi colada nos cadernos dos estudantes, que supostamente foram orientados a fazer em casa um exercício sobre ele. "Uma das mães viu o caderno do filho dela e ligou para a minha mãe alertando sobre as palavras chulas que estavam escritas nele. Quando eu li o texto, fiquei horrorizada", disse a jovem.
Ainda de acordo com a irmã, alguns pais procuraram a direção da escola e supostamente teriam sido orientados a 'abafar' o caso. “É um absurdo isso ter sido entregue a crianças de 10 anos”. Nós ficamos horrorizados ainda mais por saber que as crianças leram o poema em voz alta dentro de sala de aula. Alguma punição os responsáveis têm que ter', disse.
O irmão de T.T. C disse a ela que ficou assustado com o teor do poema e por ele ter sido distribuído dentro da escola onde estuda. "Ele ficou bastante assustado e sem entender o motivo pelo qual a escola estava dando aquele tipo de atividade", afirmou.
Em nota, a Prefeitura de Santa Luzia informou que será instaurado um processo administrativo disciplinar "para apuração de responsabilidades e eventual demissão da servidora", que não teve o nome divulgado.
Ainda de acordo com o texto, a instauração do processo poderá resultar, com base na avaliação da comissão disciplinar, no "afastamento provisório da servidora".


Ciuminho Basico

escuta
calado
a proposta rude
deste meu
ciúme:
vou cercar tua boca
com arame farpado
pôr cerca elétrica
ao redor dos braços
na envergadura
pra bloquear o abraço
vou serrar teus sorrisos
deixar apenas os sisos
esculhambar com teus olhos
furá-los com farpas
queimar os cabelos
no pau acendo uma tocha
que se apague apenas
ao sinal da minha xota
finco no cu uma placa
"não há vagas, vagabundas"
na bunda ponho uma cerca
proíbo os arrepios
exceto os de medo
e marco no lombo, a brasa,
a impressão única do meu dedo.

ANA ELISA RIBEIRO
Ana Elisa Ribeiro nasceu em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, em 1975. Graduou-se em Letras, língua portuguesa, e desenvolve tese de doutoramento sobre a formação de leitores de textos na Internet. Publicou Poesinha (Poesia Orbital, 1997) ePerversa (Ciência do Acidente, 2002), além de minicontos e poemas em revistas e jornais, no Brasil e em Portugal. É cronista do site Digestivo Cultural (www.digestivocultural.com)