domingo, 16 de junho de 2013

Mentes Transmissoras e Receptoras


Seria possível se transmitir pensamentos entre pessoas à distancia? Alguns estudos e pesquisas apontam nesta direção, mas do ponto de vista da ciência não se pode ser absolutamente afirmativo.
A ciência exige, para consolidação de suas teses, a experimentação sobre controle, de forma repetitiva, de tal modo que seus resultados possam ser comprovados, de maneira inequívoca e segura, nas mesmas condições de tempo/espaço.
Os experimentos neste sentido foram e continuam sendo feitos em muitas Universidades e centros de pesquisa ao redor do mundo.
Estes testes consideram sua repetição e a porcentagem de acertos, de tal forma que a partir de determinados resultados se possam estabelecer, pelas leis das probabilidades, respostas que superem a condição de simples acaso.
Neste aspecto o fenômeno da telepatia, não conseguiu sair, apesar das inúmeras tentativas, da condição de tese, ou teoria para a de lei reconhecida e aceita pela ciência.
A telepatia se encontra ainda naquela condição que foi descrita por Shakespeare, como que: “há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”.
Todo o dia nos deparamos com fenômenos cuja explicação não encontra guarida na solidez do pensamento cientifico, e a partir deste ponto a imaginação tenta suprir as lacunas da nossa razão com farto material que os arquivos da historia nos dispõem.
A física quântica é a ciência que mais se aproxima do reconhecimento tácito sobre os poderes da mente e dos recursos desconhecidos da consciência, campo este mais afeto aos esotéricos, gurus e médiuns.
Estudando a propagação de ondas no espaço, sabemos que as ondas eletromagnéticas se formam e se irradiam a partir da superposição de dois campos em movimento oscilatório: o campo elétrico e o campo magnético.
Por analogia poderíamos supor, (apenas supor), que a transmissão de pensamento por si não seja possível, a exemplo do campo elétrico puro.
Mas se agregarmos sentimento a este pensamento, teríamos então um campo similar ao magnético, capaz de se sobrepor ao campo de pensamento, criando uma onda oscilatória de natureza diversa das duas primeiras, com a faculdade de se irradiar a distancia, atingindo desta forma outro córtex (receptor) oscilando na mesma faixa de freqüência. Que nome teria esta onda? Talvez pudéssemos chamá-la de onda pensa-sentimento ou senso-pensamento.
Os mentores motivacionais atribuem ao pensamento emocionalizado, uma condição sine qua non para as grandes mudanças e conquistas em nossas vidas, porque segundo eles esta condição é a única capaz de romper com nossas armaduras de crenças consolidadas que nos mantém aprisionados em zonas de conforto, e ao mesmo também colocar em ação a suposta conspiração universal.
Atribui-se a estes pensamentos também todos os dissabores e desgraças que nos atingem, quando inadvertidamente acionamos energias negativas desconhecidas e sem controle.
A irradiação de ondas de pensa-sentimentos explicaria também, muitos fenômenos do cotidiano, como os pressentimentos bons e maus, as mudanças de humores, as idéias luminosas etc.
Este fenômeno também daria um pé de apoio para uma contra tese, à eficácia do vodu, da bruxaria, da macumba e da magia negra.
Consideradas no rol das crendices e mitos populares estes rituais tribais e primitivos, são levados a serio por boa parte de nossa opinião publica. A idéia de se conquistar o amor de alguém ou matar um desafeto via magia negra, não prevalece por si.
Mas se as duas pessoas em questão estivessem ligadas por algum laço afetivo, (negativo ou positivo) uma poderia funcionar como transmissora e outra de receptora de ondas de pensa-sentimentos, numa ação de influencia e obsessão.
O bruxo, apenas teria o trabalho de dar foco e intensidade a onda irradiada pelo contratante em direção ao seu alvo. Muitos destes chamados trabalhos de bruxaria, na verdade não ocorreram como um ritual de magia negra, mas foram irradiados de forma espontânea e inconsciente pelo transmissor ao colocar no ar ondas de pensamento emocionalizadas, que encontram à distancia um receptor na mesma faixa de freqüência. Se o suposto alvo estiver em outra, aquela transmissão não o atinge.
Como conclusão desta analise precisamos considerar que temos em mãos um poderoso instrumento para nos levar ao sucesso ou ao fracasso, e cuja natureza real desconhecemos.
Não conseguimos, muitas vezes, dimensionar o poder do nosso cérebro, e nem programá-lo adequadamente para nos auxiliar em nossos objetivos. Seria sábio relaxarmos esta engrenagem complexa e poderosa vez por outra e ouvir atentamente o sussurrar de suas entranhas.

                                                            João Drummond



sábado, 8 de junho de 2013

Perolas do Enen - Edição 2013



"O Brasil não teve mulheres presidentes mas sim várias primeiras-damas foram do sexo feminino".
(Ou seja: alguns ex-presidentes casaram-se com travestis.)

"Vasilhas de luz refratória podem ser levadas ao forno de microondas sem queimar".
(Alguém poderia traduzir?!)

"O bem star dos abtantes da nossa cidade muito endepende do governo federal capixaba".
(Vende-se máquina de escrever faltando algumas letras.)

"Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos".
(Esse aí deve comer capim.)

"Não cei se o presidente está melhorando as insdiferenças sociais ou promovendo o sarneamento dos pobres. Me pré-ocupa o avanço regresssivo da violência Urbana".
("Sarneamento” deve ser o conjunto de medidas adotadas por Sarney no Maranhão. Quer dizer, eu “axo”, mas não me “pré-ocupo” muito.)

"A História se divide em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais estudada hoje".
(Esqueceu a História em Quadrinhos.)

"Os índios sacrificavam os filhos que naciam mortos matando todos assim que naciam".
(Mas e se OS índios não matassem OS mortos????)

"Bigamia era uma espécie de carroça dos gladiadores, puchada por dois cavalos".
(Ou era uma "biga" macho que tinha duas "bigas" fêmeas, puxada por um burro?!)

"No começo Vila Velha era muito atrazada mas com o tempo foi se sifilizando".
(Deve ter sido no tempo em que lá chegaram as primeiras prostitutas.)

"Os pagãos não gostavam quando Deus pregava suas dotrinas e tiveram a idéia de eliminá-lo da face do céu".
(Como será que eles pretendiam fazer isso?!)

"A principal função da raiz é se enterrar no chão".
(E a "principal" função do autor deveria ser a mesma. E ainda vivo...)

"As aves tem na boca um dente chamado bico".
(Cruz credo.)

"Respiração anaeróbica é a respiração sem AR, que não deve passar de 3 minutos".
(Senão a anta morre.)

"Os egipícios dezenvoveram a arte das múmias para os mortos poderem viver mais".
(Precisa "dezenvover" o cérebro. Será que egipício é para rimar com estrupício?)

"O nervo ótico transmite idéias luminosas para o cérebro".
(Esse aí não deve ter o tal nervo, ou seu cérebro não seria tão obscuro.)

"O nordeste é pouco aguado pela chuva das inundações frequentes".
(Verdade: de São Paulo até o Nordeste, falta construir aquadutos para levar as inundações.)

"Os Estados Unidos tem mais de 100.000 Km de estradas de Ferro asfaltadas".
(Juro que eu não li isso.)

"As estrelas servem para esclarecer a noite e não existem estrelas de dia porque o calor do Sol queimaria elas".
(Hum... Desconfio que vai ser poeta!)

"Republica do Minicana e Aiti são países da ilha América Central".
(Procura-se urgente um Atlas Geográfico que venha com um Aurélio junto.)

"A ciência progrediu tanto que inventou ciclones como a ovelha Dolly".
(Teve a ovelha Katrina, também. Só que ela era meio violenta...)

"O Papa veio instalar o Vaticano em Vitória mas a Marinha não deixou epara construir a Capitania dos Portos no mesmo lugar".
(Foi quando ele veio no papamóvel, lembra?)

"Hormônios são células sexuais dos homens masculinos".
(Isso. E nos homens femininos, essas células chamam-se frescurormônios.)

"Os primeiros emegrantes no ES construiram suas casas de talba".
(Enquanto praticavam “Tiro ao Álvaro”.)

"Onde nasce o Sol é o nacente, onde desce é o decente".
(Indecente: o Sol não nasceu pra todos.)

Agora reparem no perigo: Toda essa gente vota!


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Sou Pássaro de Fogo (crônica)



Abílio Pacheco - www abiliopacheco com br

O título poderia ser "impossível não se apaixonar por Paula Fernandes". O leitor já deve ter percebido que sou meio avesso a títulos longos. Talvez já tenha percebido que procuro e prefiro os curtos e inusitados. Mas eu não sou pássaro de fogo. O título - o leitor que ouve rádio, assiste TV e aquele que gosta de música sertaneja já deve ter percebido - o título é um verso de uma das canções interpretadas por Paula Fernandes.
A cantora foi vista por mim pela primeira vez - e acredito que pela primeira vez por muitos - no show de fim de ano de Roberto Carlos (em 2010) (foto) e nos incessantes e saturantes noticiários televisivos. Falar dos dotes físicos da moça seria repetir o que o leitor já ouviu. Seria também trazer para esta página o apelo da sensualidade já tão banalizado por aí. Seria, então, fugir do propósito dessas crônicas: oferecer ao leitor algo só encontrado aqui.
Meu segundo contato com a apaixonante Paula, muito embora eu a tenha escutado antes sem dar muita trela, foi depois que publiquei "sertanojo" - crônica que provocou reações afetivas e exageradas favoráveis e contrárias além de muitos comentários bem equilibrados. Meus bons leitores entenderam que eu gosto do sertanejo de raiz, tenho aversão ao tal romântico sertanejo e considero esses meninos universitários bons, só não são sertanejos. E foram exatamente os leitores que sugeriram alguns nomes para eu ouvir com atenção. Dentre esses, a Paula (agradeço especialmente a leitura Letícia de Sumaré-SP por esta sugestão preciosa).
Que Paula canta e encanta é frase gasta e pouco original, mas é verdade. Ela se agarra a um violão enorme, que deve ter uma largura maior que os seus quadris (foto) (foto), e dedilha como se não estivesse fazendo nada demais; as mãos parecem imóveis. Atrás do microfone, os lábios ficam escondidos e soltando aquele vozeirão meio grave – quase uma neo-roberta Miranda (foto). Enquanto canta os olhos parecem namorar com um público apaixonado que raramente é o que está atrás das câmeras (Paula pouco olha para a câmera). Durante os arranjos, quem a assiste tem um dos mais intrigantes presentes: Paula se afasta do microfone, o mesmo olhar de namorico, porém mais acesso direcionado à platéia, e abre um sorriso de menina peralta inocente que acabou de fazer uma traquinagem (foto). O contraste desse seu sorriso (um dos maiores da TV brasileira e que faz lembrar o sorriso de Julia Roberts) com sua seriedade enquanto canta parece dizer: É minha mesma esta voz? Sou eu mesma quem está cantando?
A meiguice modesta desse olhar "dollyente" já bastaria para ser impossível não se apaixonar por Paula Fernandes, cujo brilho musical aparece com um poderio arrasador (pouco explorado por mídia, gravadora e ou por ela mesma) em suas composições autorais, as quais apresentam um valor supra-sertanejo.
Esse olhar, entretanto, é apenas um toque discreto de arremate no muito mais que é esse canoro pássaro de fogo... Eu tenho certeza que o leitor me entende.

Belém/Campinas, 10 de maio de 2013.

Abílio Pacheco, Professor universitário, escritor de prosa e verso, revisor de textos e organizador de antologias. Mestre em Letras (UFPA) e doutorando em Literatura (THL-UNICAMP). Autor do romance “Em Despropósito (mixórdia)”, do livro de poemas “Canto Peregrino a Jerusalém celeste”, mais dois livros de poemas, participante e organizador de várias antologias literárias. É membro correspondente da Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense (com sede em Marabá), Cônsul dos Poetas Del Mundo para o Estado do Pará, Embaixador da Paz pelo Cercle Universal des Ambassadeurs de la Pax (Genebra-Suiça) e faz parte da AVSPE.

domingo, 19 de maio de 2013

Escrever é Eternizar Palavras (e esboçar a realidade)




O primeiro ato de manifestação da nossa individualidade é sem duvida a fala. E nossas primeiras falas têm como objetivo maior exercitar esta individualidade e estabelecer os primeiros laços como seres sociais.
As primeiras expressões de um bebê, (gugu, dadá), não tem significado em nenhum dicionário, mas é compreendido como a forma que ele tem de exercitar e tornar eficaz seu complexo sistema fono-auditivo.
Neste momento também, os pais orgulhosos, manifestam em reações emocionais, seu apreço pelo ser que chegou e busca seu espaço social. Dão-lhe a primeira acolhida fora do útero materno.
Há quem acredite que o mundo que conhecemos e vivemos surgiu a partir de um “Faça-se”, como uma ordem primordial e definitiva, de alguma entidade ou energia de nível superior e desconhecida. A idéia da criação como conseqüência de um acidente atmosférico é de mais difícil aceitação.
Do ponto de vista da criança que nasce o primeiro suspiro e as primeiras expressões emitidas torna extinta a entidade dependente e coligada, e dá vida ao individuo, claro que com suas conhecidas limitações.
O “Faça-se” a partir de uma energia qualificada tem poder de criação, mas para nós, criaturas, estas falas, lançadas ao vento, promovem um efeito instantâneo e imediato, podendo depois se perder se não forem preservadas de alguma forma.
É ai que entra a escrita. Diz-se que Deus escreve certo por linhas tortas, atribuindo a ele a condição de autor, o grande autor da criação, sem nos atermos aos méritos, no que se refere a doutrinas dogmáticas ou de agremiações religiosas.
Também nós quando escrevemos, forjando em espaço físico elementos gráficos representativos de nossas falas, damos vida eterna às palavras.
E as palavras escritas, a exemplo do “Faça-se” divino é um esboço ou uma ordem de uma realidade futura. Esboça-se em palavras todo o universo criado pelo autor, em um mundo paralelo que ganha vida, expandido de uma realidade conhecida para outra até então estranha e indevassável.
Vamos então, corajosamente, onde nenhum homem jamais esteve, quando a ficção projeta possibilidades alem do piso de realidade, que como um chão firme de convicções e crenças, enreda-nos em cidadelas, aparentemente inexpugnáveis.
E esta realidade se desfaz em nuvens, expandindo nossos universos, ampliando nossas consciências. Nestas horas somos como que deuses. Pela escrita nos tornamos deuses dos mundos que criamos, (ou talvez, demônios?)
Podemos ser deuses ou demônios, depende dos valores que carregamos no ato. Pensamentos, palavras, escritas: nesta ordem nossas intenções saem do plano imaginário e invadem o mundo da realidade, alterando sua estrutura, gerando soluções ou tragédias.
Com co-participe da criação a responsabilidade um autor se torna evidente, já que suas palavras escritas transportam e preservam valores, que podem dar vida a mundos prósperos ou a infernos devastados.
Persiste a crença de que a escrita seja dom, ou uma qualidade que o autor recebe para exercer sua missão de vida. Prefiro crer que a escrita seja mais uma de muitas tendências, que como sementes depositadas no útero da consciência podem germinar ou não. Depende muito daquilo que o livre arbítrio nos faculta como escolhas fundamentais. Resumindo todos nós nascemos potencialmente com este e outros dons.  Se vamos desenvolvê-lo, isto já é outra historia.

                                                                      João Drummond

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Galeria Myralda e a Exposição Israel Hatikva - Correspondência da Galeria Myralda

Recebi e reproduzo correspondência da Galeria Myralda


A FALTA NO ENCONTRO

Elas não se viam há cinco anos. O reencontro se deu num charmoso café-livraria, em um fim de tarde de um outono frio.

Cristina e Vanessa são aquelas amigas que viveram da infância ao início da vida adulta dividindo as emoções de tudo: eram inseparáveis.

O abraço apertado, após os cumprimentos típicos femininos, gerou uma frase dita quase simultaneamente: “Nossa!, vamos fazer trinta e quatro anos, mas quando te vejo parece que estamos de uniforme indo para a escola.” Foi o bastante para que um filme começasse a passar naquela mesa, voltando a roda do tempo.

Vanessa se casou com Otávio, o primeiro namorado, com quem teve dois lindos filhos. Formou-se em jornalismo, mas trabalhou apenas por dois anos num jornal de pouca expressão. O salário pequeno a fez migrar para a publicidade, que largou depois da primeira gravidez.

Cristina não se casou. Fez concurso para auditora fiscal e morou em diversas capitais antes de retornar a BH. Namorou alguns, mas se dedicou mais a experimentar as novidades do momento. Entregou-se à liberdade.

Elas se olham, e escapa um olhar de saudade. Foram tantas fases juntas: o primeiro sutiã; a delícia de ver (ao passar) a mudança do olhar masculino; aquela festa de quinze anos; a viagem para o sítio de um amigo; os mistérios da primeira transa; a escolha do vestibular; o desejo de independência; o sonho do intercâmbio no exterior; a paixão por um fotógrafo; a ansiedade pelo emprego; morar sozinha; viajar pelo mundo; o medo de ter engravidado; a coragem da bebida; a dieta eterna; a chatice da academia; a culpa do depois; a saudade de tudo.

Elas colocam a vida em dia. Após as alegrias, começam as confidências. Vanessa sente o sufocar de uma relação única que avança no tempo domesticando o desejo. Cristina vive a pressão da natureza a gritar nas madrugadas vazias que o tempo não perdoa a perda de tempo: é a urgência de ser mãe que pulsa.

Vem um cheiro de frustração. Tal como há mais de vinte anos, quando surgiam os primeiros traços de mulher, uma deseja o penteado da outra.

Após a despedida, surge um sorriso maduro de paz. Ao se verem, foi como voltar o tempo e poder viver uma outra escolha. Sobrou a onipresença da falta. Como este encontro nos faz falta!

Este e outros, curta lá na "Piroga no Mar"
http://www.facebook.com/pages/Piroga-no-Mar/503679332986241
Piroga no Mar



Amigos, 

aproveito a oportuna leitura do texto tão inspirativo, para convidá-los a entrar no mundo "globalizado" e pensante das culturas circundantes. Não sendo a nossa, a única cultura que existe; torna-se necessário refletir em torno do que foi, do que é, e do que será nossa cultura sem o devido reconhecimento político apartidário.

Sete Lagoas ficou muito tempo aquém do aparelhamento cultural do bom senso participativo da cultura mundial. Agora estamos tendo oportunidade de confrontarmos o nosso pensamento local com o que acontece no restante do mundo. É a cidade começando a refletir no seu papel participativo no mundo da organização da cultura Mineira e Brasileira e tentando protagonizar a sua própria maneira de interagir nessa complexa teia mundial.

A semente foi lançada nesse último dia 13 de maio 2013, no auditório da Casa da Cultura com o projeto "JANELAS PARA O MUNDO" com a presença do Cônsul de Israel, Dr. Silvio Musman representando a Embaixada de Israel em Brasília, por indicação do Embaixador, Sr. Rafael Eldad, direto para Sete Lagoas. E não menos, com a presença do Presidente do IHIM, marchand e colecionador de arte, Sr. Jacques Ernest Levy e autoridades dos poderes constituídos, o Prefeito e Presidente da Câmara, além de todos os quatro clubes locais do Rotary Club International.

Presentes estavam pouquíssimos privilegiados pensadores locais, em desequilíbrio com outras centenas de pessoas que poderiam abrilhantar mais ainda o evento: Ausentes!... A educação atual passa necessariamente pelos processos participativos da "comuna" no todo. Não acredito que precisamos de uma carta de autonomia assinada pelo "rei" para pensarmos nossa maneira de ser e estar no mundo. Nesse sentido, por meio de curadoria especial da Galeria Myralda, foi inaugurada a Exposição "ISRAEL HATIKVA", acreditem: criticada por alguns como um evento que promove cultura estrangeira dentro dos nossos limites!!

No dia 21 de maio às 19:30h, colocarei direto de Israel, em video conferência (se os equipamentos não falharem), com quem quiser participar, o intelectual cineasta : Shimulick Maoz, ganhador de vários prêmios, (conversação em Inglês) com nosso público local. Será projetado em primeira mão, com autorização do próprio cineasta, seu filme "LEBANON" lançado em 65 países e comentado pelo seu irmão - Nmerod Maoz que estará no palco da Casa da Cultura, e logo a seguir o autor entra ao vivo pela WEB, para conversar conosco. Esse evento está marcado para o dia 21 de maio no auditório da Casa da Cultura em Sete Lagoas. Vamos participar dessa vez? Haverá tradução simultânea para o portugues, porém com diálogo em inglês.

Grande abraço a todos!


Minha posição

À Galeria Myralda e a Exposição Israel Hatikva

Este evento é de grande importância para Sete Lagoas. É mais importante ainda, o projeto "Janelas para o Mundo" (uma idéia brilhante) neste esforço diuturno para se quebrar o sectarismo cultural de nossa comuna, e nos inserir por meio destas "janelas", nas "Avenidas do Mundo", ou nos "Parques do Mundo".
A propósito, é também uma boa oportunidade para se refletir sobre esta atitude cautelosa ou mesmo distante, do pensador e artista local, sobre a nossa realidade cotidiana. Atitude esta trabalhada e consolidada, pelo menos, em parte pelo descaso, desinteresse e omissão com que a política local, tem tratado nossas instituições, patrimônios e projetos culturais. A solução deste pensador ou artista, para expressar seu pensamento e arte, diante deste atraso secular é justamente procurar as múltiplas janelas para o mundo que a Internet oferece de forma ampla e irrestrita.
Sete Lagoas conta com valores autênticos de peso, e com projetos que caminham espontâneos a revelia do pensamento político conservador. Artistas e eventos de fora tem que ser bem vindos em nossa comuna, porque vem somar e nos trazer pelo intercâmbio cultural, mais conteúdo, neste espinhoso caminho pela maioridade que almejamos como cidadãos do mundo. 
A cooptação de um evento cultural pela política gera desconfianças, mas precisamos superar estas desconfianças e tentar mais uma vez... Mais uma... E mais uma, até dar certo.
 Neste tentar mais uma vez contamos com a galhardia e coragem de algumas pessoas que se colocam acima das montanhas do pensamento comum e aldeão e enxergam além delas.
Cumprimento de forma efusiva e particular ao artista plástico Demétrius Cotta, curador da galeria Myralda, por mais esta iniciativa e fico na esperança de que o poder publico dê seu passo conclusivo de encontro a nossa cultura e nossa arte, (não apenas no carnaval).
Desejo muito sucesso ao evento e a outros que virão. Da minha parte, coloco-me a disposição para qualquer cooperação que me for solicitada. Com certeza estarei lá no dia 21.

João Drummond
   



quinta-feira, 16 de maio de 2013

A razão literária




A literatura é mais filosófica do que a própria filosofia. Produzir e ler romances, contos, poemas... é uma forma de conhecer que envolve todo o nosso ser e não apenas o raciocínio. É uma forma de conhecer intensamente.
Não se trata apenas de conhecimento documental: a vida dos gregos em Homero, em Sófocles; a vida medieval em Chaucer, em Dante, a vida no século XIX brasileiro em Machado, em Alencar...


O conhecimento da realidade humana é condição essencial para o fazer literário e resultado prazeroso/doloroso da leitura. A relação entre a vida íntima e as aparências, os anseios humanos proibidos, o sonho iluminando e traindo são temas fundamentais da literatura, entre outros.
E aqui está a dimensão terapêutica da literatura. É claro que na literatura não encontraremos aquela sistematização, aquela organização lógica, como, em princípio, se espera de um tratado filosófico, de uma investigação psicológica. Esta fragilidade, no entanto, é a força da literatura.


Todas as nossas faculdades serão mobilizadas. Ao pensar literariamente, não pensamos apenas. A razão literária inclui as desrazões nossas. Gregor Samsa e Emma Bovary, Quixote, Macunaíma e Capitu, Ulisses e Pinóquio dramatizam nossas escolhas, concretizam nossos dilemas, causam surpresas, instalam medos, despertam esperanças, matam ilusões, provocam decisões, inspiram atitudes...
Podemos beber nas páginas da literatura algo que a ciência, a antropologia e a sociologia não podem nos oferecer. E estas outras instâncias do saber se beneficiam quando se abrem para ouvir o que os escritores e os poetas pensam. Contanto que saibamos como este pensamento é diferente do pensamento "normal"...

POSTADO POR GABRIEL PERISSÉ



quarta-feira, 15 de maio de 2013

O Poder Terapêutico da Escrita


 Eilan  Borderline

Eu, como todos sabem, abri meu blog recentemente. Tal iniciativa deixou minha psicóloga e minha psiquiatra muito empolgadas, pois foi um caminho, uma rota de luz que eu encontrei para tentar lidar com minhas descobertas e sofrimentos causados pelo TPB. Resolvi falar sobre isso ao constatar o efeito positivo que escrever me trouxe e compartilhar os ganhos deste ato, para borderlines, bipolares, TDAHs, depressivos, "normais", enfim, para todos que precisam.

Escrevendo sua rotina

Se você acha que um blog é se expor demais, porque não escrever um diário? As vezes muitas coisas acontecem no nosso dia-a-dia, mas nosso costumeiro vazio não nos deixa enxerga-las. Talvez, escrevendo e relendo o que se passou em sua semana, você vai perceber tudo que se passou e talvez conseguir analisar melhor, caso tenha sido algo ruim, suas reações e consequências delas.
Escrever sobre nosso sentimentos também nos faz liberar, nem que seja pro papel ou pra tela de um computador, tudo aquilo que guardamos por acharmos que ninguém nos entende. Já conversei com alguns borders que tem a mesma aflição: não ser compreendido. Muitas vezes não somos mesmo, porém escrever talvez seja uma forma de colocar pra fora aquilo que ninguém mais pode saber. Lendo depois, podemos constatar que: melhoramos ou pioramos, mas baseados em fatos podemos lidar melhor com isso.

Memória de Elefante?

Pois é, não temos uma memória que registre todos os pormenores de nosso cotidiano. Um detalhe pode passar desapercebido ao desabafar na terapia ou quando analisamos algum sofrimento. Ao escrever diariamente, não perdemos nenhum ponto, sabemos bem a ordem cronológica dos fatos e isso com certeza ajuda. eu, por exemplo, cheguei a conclusão que minha gastrite nervosa (que resultou num semi-internamento) foi causada por fatos que ocorreram durante a semana (como a leitura daquele email fatídico do meu ex, que resultou em uma crise). Isso pensando no que escrevi aqui.
Quando registramos algo por escrito também nos ajuda a memorizar. Quem nunca estudou para uma prova refazendo anotações?

Contando um conto.

Escreva crônicas. Eu mesma recorri a este recurso quando não queria falar abertamente "então eu peguei a gilete, me cortei, vi o sangue caindo e fiquei bem feliz.". Usei de uma linguagem lúdica na qual contava a mesma coisa, porém com palavras mais elaboradas. Passei a idéia e ainda exercitei a redação.

Mantendo contato

Achamos que somos únicos no mundo. Ao enxergar nosso reflexo com olhos de border, tendemos a nos rotular de loucos, afinal, quem sofre desse jeito? Quem se corta assim? Muita gente. E é o que estou aprendendo cada vez mais com a vivência do blog. Ainda por cima consigo ajudar algumas pessoas. Então, entre num grupo, numa comunidade do Facebook, escreva e-mail, escreva pra mim, relacione-se, que vais descobrir pelo menos que existem muitos mais iguais a ti. Isso alivia. Ou não somos afinal, ETs, ou há uma porção de homenzinhos verdes por aí.

http://borderline-girl.blogspot.com.br/2013/04/o-poder-terapeutico-da-escrita.html

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O SEGREDO DE MAMÃE

Texto de Paulo Drummond (Paulinho) no 85º aniversario de nossa mãe (Dona Inez)


Querida mãe, essa noite tive um sonho muito curioso: Sonhei com a Wanda. No sofá de sua sala, depois de servir uma refeição dos deuses, orgânica como a usa própria visão de mundo, e de me ler uma bela poesia que havia escrito, ela me disse que guardava um grande segredo sobre a senhora, mas que não me revelaria. Que eu deveria descobri-lo por mim mesmo. Muito insisti, porem ela foi irredutível.

Procurei então Márcia e tratei de saber se ela conhecia o tal segredo. Márcia após me servir um gostoso café fresquinho, que no sonho era servido na sua própria mão em cunha, como uma bênção, afirmou que sim, que conhecia o profundo segredo, mas que, com toda a fé, não me revelaria. Fiquei pensando: Será que os anos fora, além da distância, da ausência e da saudade dos meus entes queridos, além da luta, muitas vezes insana, pela labuta, também me furtara, ignorante, o conhecimento desse incrível segredo?

Busquei então Fred que certamente me deixaria a par, cúmplice que fomos em tantas lidas, e também porque filósofos guardam segredos, mas não escondem verdades! Com esta convicção me pus diante dele e indaguei: Diga Fred, as palavras que revelam o segredo de mamãe! As palavras te revelo, mas não as coloco na ordem certa, porque esta você tem que descobrir. A primeira palavra é Joaquim! Joaquim? Mas qual? O das imagens? Segue o teu caminho a descobrir, filosofia não é jogo de palavra cruzada, disse Fred.

Nesse momento, num voo do tempo, me vi dentro de uma fotografia de Joaquim. Ali chamado também de Bruxo Quim! Uma fotografia pendurada em sua sala, de onde podia espreitá-lo em silêncio. Enquanto ele trabalhava em suas imagens no computador, como um velho mago faz suas porções diante do caldeirão, eu esperava que Quim, distraidamente, revelasse o segredo. Em súbita hora, ele observou uma imagem e passou a repetir: aqui está o segredo de mamãe, aqui está o segredo de mamãe, aqui está o segredo de mamãe.

Eu não via nada além de uma foto de Maria Inês irmã! E pensei: será isso? Maria Inês terá sido a eleita, a escolhida para me revelar o segredo? Diante dela, enquanto lia as linhas das minhas palmas, Inês me revelou o mundo, os caminhos a seguir, mas não o segredo. João é próximo, pensei, nasceu comigo no Rio, logo antes de mim, vai me revelar o segredo de mamãe!

No sonho com João vivi uma fantástica odisséia literária, fomos para outros mundos e outros tempos, me revelou tanta coisa esse meu João! Mas não o segredo de mamãe. Tão desesperado eu fui ficando que pulei em meu próprio sonho para ver se num movimento para dentro de mim mesmo, do meu inconsciente, de forma rápida e inexplicável eu conseguiria captar o conhecimento, cravado talvez em algum ínfimo canto da memória insabida.

Mas nada! A única coisa que consegui foi cair rolando no sonho de Beto que, gozador como sempre, me disse para colocar um anúncio na internet para verse alguém sabia desse tal segredo. Aproveitasse eu e vendesse também alguma coisa que os negócios na Web iam de “vento em popa”. Mas e o segredo, Beto? Sei mas não conto! Pronto! Vai descobrir, tonto. Gozou Beto. E começou a dedilhar uma linda música em seu violão de infância.

Mal notei estava voando sobre as costas de uma enorme abelha que me conduziu até Murilo. Ele só olhava para mim e ria. Coçava a barba e ria. Tomava um gole de cerveja e ria... O segredo de mamãe? Perguntei - Nesse momento ele fechou a cara e escreveu uma imensa fórmula num quadro negro. Ao terminar falou, pronto. E eu - Está aí o segredo? Nesses números? - E ele me pediu: Leve esta fórmula para Zelão e diga que estarei lá num piscar de olhos. - E o segredo? - Ele olhou no fundo dos meus olhos e disse - Abelhas são sentimentos, não vê a vida?

Como que movido por um imenso furacão fui girando pelo sonho até cair na porta da casa de José Maria. Confesso que estava triste nesse momento. Nada conseguira, ninguém me revelara o segredo de mamãe, então ninguém haverá de me revelar, pensei comigo. Mas movido por uma forte energia, uma onda magnética que emitia de suas mãos, José Maria, com uma tranquilidade absurda, me propunha uma reflexão: Pensa bem, a descoberta só pode ser sua, raciocine... - no sonho? Indaguei. - No sonho o raciocínio é mais livre – Me disse José.

E antes que eu tentasse retrucar qualquer coisa, o sonho de Marcílio me levou a um mundo de serenidade e introspecção. Como que flutuando em uma nuvem azul Marcílio, indicando com suave gesto uma direção determinou: Você tem o direito e o dever de tentar descobrir o segredo sobre a mamãe, eis a estrada...

Subitamente só pude ver um largo sorriso no rosto de Tina conduzindo seus cães que eram alados. Em sua extrema vitalidade, Tina riu de minha aflição e, prática, me disse – Uai pergunta para outro, eu não vou contar, sinto muito, o segredo de mamãe. E deu um sopro suave no meu rosto.

Nesse sopro parece que adormeci. Senti como se algo me libertasse. No leito dessa liberdade me vi na casa de Ana, recebendo de suas mãos artesãs, um gostoso chá de Melissa. Um cheiro de jasmim e erva-doce deixava tudo muito calmo. Ana, você que sempre foi tão próxima de mamãe, me diz o segredo? Ana olhou-me dentro da alma e depois virou-se para uma outra direção.

Nesta direção, correndo feito louco, desesperado, ofegante, encontro Leo sentado num tronco de árvore. Seu olhar atravessava o tempo e via uma vida emergindo da natureza. Sua câmera capta aquela existência naquela exata hora! O segredo de mamãe, Leo? Me salva! Leo sorri, vira-se para mim e diz: Eu não sei o segredo, eu sabia, mas contei para Remiau e depois esqueci para sempre.

E desta forma fiquei sem saber o segredo de mamãe. Até Remiau soube, menos eu. Mas refletindo após o sonho fico pensando: O que importa o segredo incrível da minha mãe? Mais incrível é a sua própria existência. Poder ter nascido dela, poder ter tido a imensa, a inigualável, sim, a inigualável honra de ser seu filho. Saber que com ela no mundo, o mundo é bem melhor. E isso, sim, é importante saber.

Como eu sei e todo mundo sabe. A existência incrível da minha mãe. O seu não segredo. Que é a vida tão intensa que trás dentro de si, capaz de se irradiar para os filhos, parentes e amigos, sem perder a sua força e sua ternura em momento algum. Que se dane o segredo da minha mãe se eu a tenho! E aqui não há sonho algum. É a nossa pura realidade, acima e banhando todos os sonhos! Feliz aniversário, mamãe!

São Paulo, 22 de abril de 2013.
                                                               Paulinho